RELATÓRIO DA MANIFESTAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM BRASÍLIA - Setembro - 2015

Minhas Irmãs e meus Irmãos mais que estimados,

Somos pessoas com deficiência, sim, entretanto, a deficiência está na sociedade, que não nos proporciona as ferramentas necessárias para nossa cidadania, muito menos atitudes pró-ativas para que estejamos todos unidos em prol do crescimento dessa "Nação ainda excludente"!
A sociedade substitui a palavra Efetivação pelo verbete Protelação, e joga com o poder da falácia nas mãos, dando, à Efetivação de Direitos, conotação de "esmola"!
Mais do que "fruto do meio", o Homem tem a capacidade de transformar o meio em que vive, e dar visibilidade aos que não a possuem dentro desse mesmo meio!
O egoísmo estúpido, a individualidade excessiva e a ganância, fazem que, líderes proeminentes, sejam transformados e se deixem transformar em "ratos sujos" cujos pensamentos tendem ao "acúmulo de recursos" como se aqueles seres fossem viver indefinidamente, e ganhar a eternidade por conta dos recursos acumulados e roubados da _Nação_, essa sim, eterna, enquanto durarem os Homens e Mulheres de Boa Fé!
Lamentável entender a governança atual, em todos os níveis, como um "salve-se quem puder", em que, quem consegue o poder, ao invés de _exercê-lo para todos_, simplesmente entra numa máxima corrida para testar suas capacidades de roubar, desviar e corromper, e ganhar cada vez mais!
Uma "utopia estúpida" em que o homem, tal qual ratos, acumula recursos supostamente infindáveis, quando, na verdade, o finito é ele mesmo!
Estupidamente finito, mas pensa que deve acumular cada vez mais e mata sua própria sociedade, e até sua esperança de futuro, o futuro dos seus descendentes, somente para "ter hoje" e pouco se importa com o _Faltar amanhã_!
Não é diferente no pequeno mundo onde se encontram os cegos e baixa visão... entretanto, isso se torna mais danoso, tal é a fragilidade desses dois grupos em relação ao grupo maior da sociedade que, por sua vez, ignora totalmente, e faz que tais grupos minoritários sejam cobertos com uma cortina de invisibilidade.
Estando cobertos por tal atributo, escondidos do resto do mundo real, pequenas tramoias e pequenos roubos passam ao largo, mas os danos permanentes se tornam excessivamente maximizados, até por conta da mesma capa de invisibilidade que cobre essas minorias fragilizadas!
É importante dizer que, quanto mais roubam, menos futuro terão aqueles que descendem dos ladrões.
Isso posto, vamos aos fatos que aconteceram antes, durante e após a manifestação desse ano em Brasília.

1. ANTECEDENTES À MOBILIZAÇÃO DE SETEMBRO DE 2015

Parte da história que lhes vou contar, creiam, começa no dia 08 de junho desse ano de 2015 e tem muito mais a ver com a vontade de lutar do que com a dor lancinante que senti naquele dia sombrio e terrível desse sexto mês!
O fato é que a natureza tem suas formas de testar-nos, tem seu próprio jeito, muitas vezes incompreensível, de nos dar provas, tarefas duras, e entender o quão podemos ser duros para enfrentar tais momentos.
Foi o que aconteceu naquele 08 de junho, e que me fez refletir sobre as nossas limitações, os nossos medos, sofrimentos, angústias e também sobre a capacidade humana de vencer todos os obstáculos, todas as suas agruras e também a dor absolutamente suprema!
Descobri naquele dia o quão frágil é o futuro do homem, e o porquê das formigas serem muito mais bem sucedidas e há muito mais tempo do que nós humanos nesse pequeno recanto do Universo chamado Terra!
O segredo, acreditem, é a colaboração mútua pelo futuro do outro, e nunca apenas de nós mesmos!
O homem só pode ser dominado ou destruído, se a crença dele em Deus for menor do que a sua capacidade de confiar no Supremo Senhor de Todos os Mundos e entregar-lhe a sua vida.
Por isso o propósito deve ser sempre _Amar ao próximo como a ti mesmo_ e nunca o contrário!
Uma frase que, em princípio, parece tola, mas resume o quão sábios poderemos nos tornar se exercermos esse _Mandamento_ ao pé da letra.
Dormir cego e acordar, além de cego, também cadeirante?
Isso é possível?
Ganhar uma nova deficiência sem ter saído de casa, isso é possível?
Será mesmo que somos tão poderosos e que jamais poderemos sucumbir a um acidente tolo?
Olhos, pernas, braços, ouvidos e todos os sentidos, seriam algo imutável e isento de falhas?
Será que a sociedade pensa ser imune à cegueira, surdez, à cadeira de rodas e à privação do intelecto?
Por que tanta estupidez e mentiras para efetivarem nossos direitos?
Será que a sociedade pensa que nunca irá envelhecer e ter problemas muito parecidos, ou até iguais, àqueles que vivem as pessoas com deficiência?
São questionamentos que faço todos os dias, mas que a sociedade teima em ignorá-los!
Muitos seres humanos julgam-se fortes, indestrutíveis e que nada, absolutamente nada os afetará. Esquecem-se da velhice e do crepúsculo humano, um por do sol tão cheio de deficiência... e vivem a ilusão da suprema vida boa, como se fossem "super Homens"!
Sociedade humana que somente pensa no "estúpido hoje" e que não olha um palmo adiante do próprio nariz, tampouco olha um palmo atrás, nem lembra como terminaram seus avós!
Diante de tais reflexões, eu pude constatar o quão tolos todos nós somos na sociedade atual, diante de tais dificuldades.
Eu dormi cego, e acordei, além de cego, também cadeirante.
Será que isso só irá acontecer com o Bebeto Pires?
Mas não nos adiantemos aos fatos, visto que o nosso movimento social, inicialmente centrado na lista de discussão Visibilidade Cegos Brasil (VCB), e cujo site é:
www.visibilidadecegosbrasil.com.br
fez um ano de vida no dia 16 de abril do corrente, e eu preciso escrever exatamente como a campanha de 2015 começou.
Tudo o que irei lhes contar tem muito a ver com o relato supracitado.

1.1. Um Ano do Movimento Visibilidade Cegos Brasil

Era dia 16 de abril de 2015 e eu fazia 24 horas ininterruptas na Rádio VCB, a qual vocês podem ouvir em:
www.visibilidadecegosbrasil.com.br/radio
Sim, caros amigos, 24 horas sem descanso para comemorarmos o primeiro aniversário dessa _Coisa Linda_ chamada Movimento Visibilidade Cegos Brasil...
Um dia, em que, além da comemoração, teríamos o lançamento da campanha de arrecadação dos fundos para o trio elétrico gigante que colocaríamos em Brasília, capital federal do Brasil, no dia 22 de setembro desse ano.
24 horas no ar sem dormir... esse era o desafio e foi vencido.
Nem preciso dizer que tive muitos fiscais, muita gente olhando para ver se eu aguentaria mesmo aquela maratona sem descanso!
Das dez para as cinco do dia 16 até as dez para as cinco do outro dia!
Graças a força de muitos amigos e amigas, uma vontade louca de vencer e a companhia imprescindível do Senhor Deus, venci as 24 horas no ar em nossa rádio e a campanha para setembro começou!
naquele 16 de abril a corrida para o 22 de setembro iniciou-se, e meu peito se encheu de alegrias e esperanças.

Abril correu bem, com a contribuição dos primeiros sócios para a nossa manifestação de setembro; entramos maio com mais algumas adesões, e, finalmente, chegamos ao fatídico junho!

1.2. Fatídicos acontecimentos de junho

Lembro-me que, naquele final de semana, eu havia me resguardado quanto à bebida e até excessos na comida, visto que, além dos compromissos normais da quinta, sexta, sábado e domingo, teria compromissos como cantor na segunda e na terça próximas!
Deitei um tanto cedo para o meu padrão, pois havia tocado pelo início da noite e não havia mais nada a fazer. Como a sanfona causa um certo cansaço, fui para a cama e logo adormeci.

Obs.:
Grande parte das lembranças abaixo, só foram revisitadas quase um mês depois, visto que a "dor indescritível" apagou da minha mente os fatos naqueles terríveis momentos!

Como escrevi acima, fui para o leito e adormeci.... me lembro de ter caído da cama, mas a lembrança tem mais a ver com minha volta cheia de dificuldades ao leito do que com a queda em si!
Não me lembro definitivamente de ter caído, mas a lembrança do esforço para voltar à minha cama, sim, depois de alguns dias, isso voltou ao meu cérebro.
Voltei para a cama e adormeci, só acordando horas depois com uma _dor_ que jamais pensei sentir na vida.
O querido leitor não deve se esquecer que só me lembrei desses terríveis acontecimentos muitos dias depois!
Mas continuemos os fatos:
Gente, até respirar doía... espasmos terríveis, como se minha barriga fosse puxar violentamente a minha perna... mexer meus braços, creiam, causava tantos espasmos no meu ventre, e daí para a perna direita, que parei de me mexer, e fui obrigado a "curtir a dor" sem esboçar qualquer reação.
Mexer o pé direito, acreditem, me causava a sensação de choques elétricos terríveis na base da cocha e também no baixo ventre.
Seria o mesmo que engolir uma garateia (Anzol cheio de anzóis!) e depois alguém puxar a linha com a intenção de arrancá-la de dentro de mim.
Momentos terríveis de dor quase mortal... choques elétricos como se eu colocasse a mão na corrente 220 e a sensação de calafrios que mais pareciam a morte premente.
Eu suava copiosamente, mas sentia frio... posso viver dez vidas, jamais esquecerei aqueles momentos de horror total. Enquanto eu tentava reagir, era como se meu corpo me punisse por cada reação.
Exausto, com muito medo e totalmente dominado pela dor, simplesmente me deixei ficar quieto. Descobri, muito tempo depois, que essa era a única forma de controlar a dor e os espasmos!
Suando frio e trêmulo, eu percebi que, quanto mais quieto, quanto mais sereno e tranquilo, a dor, os espasmos e os choques diminuiriam!
Passei a lembrar de uma velha série da TV de nome Star Trek, em que um Ser Alienígena chamado Spock, ao ser atacado por um parasita, se concentrou na dor e a dominou. Assim, ela não diminuía, mas também não aumentava.
Santo Senhor Spock que me ensinou tal "prática Vulcana"!
Usando a paciência e o controle total da mente sobre a dor, consegui dominá-la durante aqueles primeiros e terríveis momentos. Mas, acreditem, não lembrava de ter caído da cama e fiquei louco de medo por não saber o porquê daquele suplício!

*O que é que eu tinha, meu Deus?
*Que tipo de doença fazia que eu sentisse tanta dor?
*Como era possível um homem dormir bem e acordar daquele jeito?

Por conta da negligência dos gestores do Estado da Bahia, e da total falta de controle sanitário nos aeroportos desse país também negligente, ganhamos diretamente da África, duas novas doenças infecto-contagiosas... uma se chama Zica e a outra é a Chicungunha... o que isso tem a ver com minhas dores?
Simples.... juntas, Chicungunha, Zica e, pasmem, a Dengue, nossa velha conhecida, desenvolvem em alguns pacientes uma síndrome chamada "Guilaim-barré"!
Paralisado de terror, creiam, imaginei que poderia estar com essa síndrome e que não teria um fim feliz!
Uma vez instalada a tal síndrome, acreditem, a paralisia do corpo começa pelos pés e vai até os processos vitais e involuntários do corpo... paralisa o diafragma e aí, bem... vem a morte!
Nunca temi a morte, mas sempre temi a "dependência". Ficar em cima de uma cama, sofrendo e, principalmente, fazendo outras pessoas sofrerem... meus amigos e amigas, sempre foi um medo que me perseguiu a vida inteira! até hoje é o único medo que tenho, se vocês querem mesmo saber!
Voltando ao caos que se instalou em minha vida....
Nos dias seguintes foi uma correria, uma loucura, visto que eu não podia me mexer, mas tinha que ir ao médico.
Exames não apresentavam muita coisa... se eu tivesse lembrado da queda, tudo seria mais simples.
Cair da cama e quebrar o fêmur não é algo normal... cair e não lembrar que caiu, menos normal ainda e foi isso o que me aconteceu!
Bem... se for contar em detalhes tudo o que passei, creiam amigos leitores, gastarei mais que um livro para tal proeza.
Vou tentar resumir, mas não será fácil: "Síndrome de Guilaim-barré" na Bahia, inclusive matando pessoas, e toda série de pensamentos ruins tomaram conta dos meus dias naquele junho, meus caros amigos e amigas!
Até uma suspeita de câncer na próstata foi levantada... eu já estava me conformando com a coisa que viria, mas o exame de ressonância magnética acabou com as suspeitas e decretou que meu fêmur estava mesmo fraturado.
Então foi esperar pela cirurgia e tive que me acostumar com a dor.
Ao chegar no hospital para me submeter ao tratamento, pude ver o quanto o povo sofre nesse país sem saúde pública e com "governantes sem qualquer vergonha na cara".
Gostaria muito de lhes contar a tortura que foi as minhas idas e vindas, de hospital em hospital, mas isso ficará para o futuro!
Ao fim e ao cabo, fui operado por uma equipe maravilhosa do hospital Manuel Vitorino aqui em Salvador e colocaram nesse "Bardo" que lhes escreve 3 pinos de titânio que me acompanharão pelo resto da vida.
O fato engraçado na tragédia, foi a sala de cirurgia estar banhada com o som de Reggae e, durante o processo de anestesia, bem, eu pensar que estava na _Jamaica_ fumando um morrão fumegante e dançando Reggae no meio da mulherada! rsrs...
Nunca me droguei na vida, apesar de ser músico profissional desde os meus 15 anos, mas a sensação da anestesia e mais o Reggae, foi como aquelas sensações que meus colegas músicos descreviam após fumarem um enorme charuto de maconha! rs.
Deixemos meus "delírios tolos" de lado e voltemos aos fatos reais:
A médica anestesista perguntou:
"Sr Humberto, o senhor prefere sentir dor ou ouvir todo o procedimento cirúrgico?"
Respondi que preferia não sentir dor, nem ouvir o procedimento, visto que teriam que usar uma broca para furar o osso! rs. Ela replicou jocosa:
"lamento, mas terá que escolher... ou um, ou outro!"
Resignado, choraminguei que preferia ouvir! rs.
E assisti toda a cirurgia ao som dos maiores regueiros do mundo, entretanto, penso que a querida anestesista, ao perceber minha resignação chorosa, se compadeceu e me fez dormir durante os 10 ou 15 minutinhos quando do uso da furadeira! rs.
Quando acordei, já estava sendo costurado e preparado para ir até a enfermaria.
Tenho que render homenagens ao pessoal do Manuel Vitorino... uma Gente Boa e competente, mas que trabalha nas piores condições possíveis, visto que o "desgoverno da Bahia" prima por muitas coisas, menos pela saúde, educação e segurança.
O hospital é carente de tudo, menos de uma equipe maravilhosa!
Eu fiz a cirurgia entre 11:30 e 13:20, mas às 21:00 já estava levantando... sob protestos veementes da minha irmã, é claro! rs.
Eu poderia fazer tudo na cama, excetuando-se o "número 2"! rsrsrs...
Galerinha... não dá! rs.
Pode ser que, na velhice, quando não tiver força alguma, eu até consiga... isso é óbvio, entretanto... bem... naquelas condições... negativo! rs. No outro dia, o médico residente veio me avisar que eu iria para casa, e fiquei feliz... mas ele não disse somente isso... também disse que eu poderia começar a fisioterapia o mais rapidamente possível.
Sei que ainda não contei, mas... mesmo antes da cirurgia e sentindo dores e choques, eu não parei de fazer pequenos e suportáveis movimentos!
Ficar parado e "definhar"?? Nem pensar, pois eu tinha uma campanha em setembro e isso jamais saiu da minha cabeça!
Como já dito, sofri o acidente no dia 08 de junho pela madruga, mas apresentei o programa, deitado no leito, até o dia 08 de julho, uma quarta, quando, na quinta pela manhã, fui transferido para o hospital e tive que sair do ar.
Retomemos então a narrativa.
Saí do hospital na quinta, dia 16 e na sexta eu já estava fazendo fisioterapia... minha angústia por conta da campanha, creiam, meus amigos e amigas, não me deixava dormir e descansar.
Pessoas queridas confiaram e doaram parte dos seus recursos para essa empreitada e eu não poderia falhar com elas e muito menos com os cinco milhões de cegos e baixa visão que estão abandonados nesse "país ainda excludente"!
Creiam... o saldo negativo de cinco milhões de vidas humanas, quase duas Salvador cheias de pessoas cegas, martelava em minha cabeça e, o simples pensamento de que nossa manifestação não seria possível por minha causa, bem, era mais insuportável do que a dor. Dor?
Voltemos à ela....
Quando se sente uma dor muito grande, tal qual um gigantesco terremoto, as dores restantes ou secundárias soam como brisas!
E foi assim que suportei as dores restantes do processo cirúrgico e comecei a minha luta pela recuperação com um _Andador_, e uma força sem tamanho para me recuperar.
Ainda escreverei sobre a linda menina que foi minha fisioterapeuta e que ajudou muito a salvar nossa manifestação e minha sanidade.
Quanto à minha querida família, não posso recompensá-la pelo carinho, pela força e pela presença em minha vida naqueles dias sombrios, quando da minha recuperação pós cirúrgica.
Queridos familiares, aqui vai um abraço e um beijão de um cara que lhes adora e tem um respeito enorme por vocês. Se eu for citar todos, bem, não será um relatório, será um livro! rs.
Muito em breve, escreverei um livro sobre tudo isso e citarei todos os nomes daqueles familiares e amigos que tanto me ajudaram nesse processo.
Aqui eu devo destacar também a presença dos meus amigos/as e escolho os grupos Segunda sem Lei, Bebeto Nota Mil e os Amigos da cidade de Barra Do Mendes como legítimos representantes de todos os amigos maravilhosos que tenho. Eles foram imprescindíveis para mim... sem eles, seria muito mais difícil.
Que nosso Senhor Deus ilumine o coração de cada um e deposite a imensa Felicidade Divinal dentro do peito dessas Pessoas Maravilhosas que povoam a minha vida. Ainda citarei o nome de cada um no dia em que eu escrever o livro dessa minha aventura.
Fisioterapia em alta, precisamente 62 dias de operado e uma vontade louca de estar bem, acreditem... cheguei muito menos quebradinho no dia 17 de setembro e aqui vai começar, finalmente, a aventura dessa campanha!

2. MOBILIZAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM SETEMBRO DE 2015

Na quarta à noite, dia 16, apresentei normalmente o programa de rádio, porém, do meu estúdio, pois já estava em minha casa. desmontei a rádio e, como iria viajar às 13:05 do dia seguinte, pude relaxar.
Em teoria, tudo seria assim, não é? mas, com uma responsabilidade imensa nas costas, será que eu poderia relaxar? certamente que não, e só consegui ir para cama depois das 02 horas da madrugada!
Como sempre, as preocupações que passam pela cabeça de um homem que deseja fazer o máximo, dar de si o máximo, para não decepcionar seus amigos. Tudo teria que funcionar, mas com baixa mobilidade, como fazer para resolver os problemas urgentes? pensamentos que voavam em minha cabeça e que, somente lá para as 03:00 me deixaram dormir um pouco. Sim... dormi pouco, visto que antes das 07 horas eu já me levantava para o sol do dia 17 que acabava de inaugurar a manhã com seus raios de ouro e iluminavam em meu "rosto pálido de hospital" a aventura que começaria.
Espero sinceramente que vocês nunca tenham que passar pelo que passei, e com a enorme responsabilidade de jamais falhar com a Causa!
Antes, porém, de lhes contar os detalhes de nossa manifestação em Brasília, preciso escrever que, no dia 28 de agosto, depois da minha cirurgia e de todo sofrimento pelo qual passei, foi lançado outro desafio na rádio VCB. Nessa nova empreitada, bem, eu teria que passar 24 horas no ar, para comemorarmos o aniversário de um aninho da nossa emissora mais querida.... e mais ainda... também um aninho que esse "Bardo Simplório" que lhes escreve estreou como "um locutor improvisado" naquele veículo de comunicação. Dessa aventura, creiam, ainda lhes contarei os bastidores num futuro bem próximo!
Ter passado 24 horas no ar em abril, acreditem, foi duro... bastante duro, estando completamente são... contudo, passá-las, com menos de 50 dias de operado de uma fratura no fêmur... não duvidem... foi arrasador! mas eu tinha que fazer, e nós fizemos juntos!
Por que _Nós_? simples... porque vocês todos estavam lá!
É, meus amigos e amigas, precisamente 44 dias depois do procedimento cirúrgico ao qual fui submetido, tive que enfrentar mais um desafio de passar 24 horas no ar, sem descanso, nesse que é um _Arauto Magnífico para a efetivação dos direitos das pessoas com deficiência nesse país, em especial, os direitos dos cegos_ e aceitei o desafio sem pensar duas vezes ou imaginar o quão brutal seria executar tal iniciativa!
Estou falando da segunda _Virada Cegos Brasil_, 24 horas ininterruptas no ar e comandada por mim! uma ideia que tive em abril para o aniversário do movimento Visibilidade Cegos Brasil, mas que foi genialmente rebatizada pelo Naziberto Lopes, o cara que ganhou magistralmente uma ação contra editoras livreiras e que, naquela madrugada do dia 16 de abril, colocou um novo nome no programa gigantesco que eu me propunha a fazer.
Agradeço o carinho e o presente, querido Naziberto, você inspirou a _Virada Cegos Brasil_, esse programa que tive o prazer de apresentar em abril, quando do aniversário do movimento VCB e também em agosto, quando do aniversário da rádio VCB.
O fato é que, ainda com muitas dores e sem poder ficar sentado por muito tempo, enfrentei e, graças aos imensos carinhos e participações brilhantes que ganhei no programa, pude vencer também essa tarefa dura, e com todos os meus amigos e amigas! todos juntos, e brilhantemente unidos, me ajudaram a aguentar o peso daquele evento!
Nossa querida Rádio VCB ficou no ar 24 horas com uma programação ao vivo e a participação de pessoas de todos os cantos desse país, e, pasmem, participações internacionais.
Quando terminei, acreditem, tava mais moído do que _pimenta do reino na feira_, mais quebrado que arroz de quinta categoria e com a perninha e as costas completamente em frangalhos! rs.
Por conta do uso do andador, também pelo fato de não poder colocar o peso do corpo sobre a perna fraturada, creiam, ganhei dores nas costas que jamais tive ao longo dos meus 48 aninhos!
Nem a sanfona de 120 baixos e 14,5 kg que tive, e com a qual eu tocava, jamais me deu tamanho tormento na musculatura das costas.
A soma do andador, de ter que dormir somente de um lado do corpo, de não poder apoiar o pé no chão e de ter que fazer um esforço extra para andar... fizeram estragos gigantescos na minha postura. Daí as dores também nas costas e nos braços!
Por fim, vencemos as 24 horas e foi maravilhoso... foi glorioso poder ter nossa gente falando, se expressando em vários sotaques e dizendo tudo o que nunca puderam dizer abertamente!
A essência do movimento VCB e da sua rádio, creiam, é exatamente essa... não só dar visibilidade, mas, e principalmente, deixar que os cegos possam falar sobre suas vidas, glórias e lamentos.
As 24 horas no ar, no dia 28 de agosto, acreditem, foram extremamente exaustivas para esse que lhes escreve, entretanto, quando acabaram... pude dizer com carinho, um sorriso de prazer e também um tanto de dor:
"Cumpri minha missão, e nossa gente pôde falar livremente e sem amordaças!"
Não pensem que foi fácil... depois de passada a terceira hora de apresentação do programa, bom, minha perna fervia como um caldeirão, minhas costas doíam muito e, ficar sentado, caramba....era um suplício.... aguentamos juntos, não é, caros amigos e amigas? Vocês me ajudaram a fazer isso ser possível! ainda contarei em detalhes esses bastidores num livro, e vocês verão o quão foi difícil a nossa empreitada.
Continuemos então a narrativa do amanhecer do dia 17 de setembro:
Preparei-me, quase me arrastando, com um medo enorme de fraturar a perna novamente, e fui para o aeroporto na companhia de dois amigos queridos. Ainda lhes contarei sobre eles, pois foram os Anjos Adorados que me ajudaram a sair daquela situação difícil.
Arrastei-me até o check-in, fiz o procedimento e ainda brinquei com a menina da empresa aérea sobre meu estado... quando lhe falei sobre a data da minha cirurgia, bem, ela correu para conseguir uma cadeira de rodas. Gente, eu já tinha usado tal equipamento durante a peregrinação aos médicos, mas foi mesmo estranho usá-la no aeroporto.
Graças a Deus que ela existe e que permite tantos viverem de forma independente!
Feito todo o processo, fui levado até o avião: com uma mochila pesada no colo (Claro, longe da perninha remendadinha, né?) e com o andador, meu companheiro de todas as horas e aventuras.
Nada eu seria, naquele momento, sem esse equipamento chamado _Andador_!
Quando o avião levantou voo, vieram as dúvidas: o que farei? como farei? e se isso, e se aquilo, e se aquilo outro, bla, bla, bla....
Questionamentos e respostas pululavam em minha mente tal qual cabritos monteses nas escarpas de uma charneca.
Relaxei um pouco na poltrona do avião, me concentrei nos motores e pude deixar os tais cabritos de lado.... a resposta era sempre:
_Seja lá o que Deus quiser!_
Ao chegar em Brasília, vejam o absurdo...
A empresa aérea, com sua cadeira de rodas, me levaria até um ponto de táxi, mas, se eu tivesse algum amigo para me pegar no aeroporto... a tal cadeira de rodas não poderia ir até o estacionamento! rsrsrs...
Só no Brasil tais horrores acontecem, e eu tenho que render homenagens aos cadeirantes... eles são verdadeiros heróis para enfrentarem tais horrores.
Aqui eu faço críticas contundentes ao aeroporto da capital federal do meu país:
_Muita "privatização" e pouca humanização!_
É claro que temos as exceções, entretanto, o "modus operande" daquele aeroporto para com as pessoas com deficiência, é mesmo muito parecido com um "nada"!
Grana, grana e grana, é só no que pensam as empresas aéreas e também a Infraero!
Apesar de ter amigos queridos que iriam me pegar no dito logradouro, preferi, até pela dificuldade do aerógramo de Brasília, pegar um táxi e ir até eles!
Finalmente cheguei, são e salvo, à casa de amigos e pude relaxar!
A perninha ficou um tanto dolorida por conta dos esforços e resolvi que iria deixar toda a força guardada para o próximo dia 22.

2.1. E o dia da manifestação chegou como num passe de mágica

O sol amanheceu lindo naquela manhã de 22 de setembro em BSB e a falta total de nuvens de chuva, somada à seca em Brasília, me deram a certeza de que, pelo menos com isso eu não precisava me preocupar.
Relaxei, agradecendo fervorosamente ao Senhor Deus pelas dádivas, até porque, uma semana antes, havia chovido no Distrito Federal.
Comuniquei-me com nossa gente em BSB, principalmente com o querido Presidente Flávio Escultor, da ABDV, e ficou tudo acertado.
Os presidentes dos diversos movimentos da nossa luta estavam animados com a chegada do dia da manifestação.
Tomei um café rápido, na casa da mestra Liliane Moraes, pois a rádio havia ficado instalada lá, e fomos nós em direção à Torre de TV de Brasília, ponto de encontro com o trio elétrico.
Os queridos amigos Marcinho dos Teclados e Mestra Marlene Chaves estavam lá, e o irmão da mestra Liliane foi pegá-los próximo ao elevador da Torre.
Tenho aqui que render homenagens ao irmão da Mestra, meu querido Fernando Moraes, e ao tio não menos querido, Manoel Ventura, que foram importantíssimos para nossa logística em BSB. Isso sem contar com a presença sempre atuante da mamãe da mestra que nos ajuda desde que esse "Bardo louco" pisou em BSB pela primeira vez.
Meu amigo Valdivino, da Refrão de Mármore, havia me garantido que lá estaria e, como sempre, nunca falhou com esse que lhes escreve.
E agora estávamos em cima da gigantesca estrutura do nosso trio...
Tive problemas para colocar a rádio no ar, até pela minha falta de mobilidade... creiam... não é fácil... nada é fácil quando estamos com dores, não nos acostumamos com a situação e temos que resolver probleminhas de última hora. Isso sem contar o medo de fraturar a perna novamente e dar trabalho aos outros!
Não esqueçam nunca: um trio elétrico é um gigantesco equipamento, que se apoia numa também gigantesca carreta e se move embaixo de você... imaginem isso tudo sob o ponto de vista de um homem com a perna recém operada e que não pode ser colocada no chão sob nenhum pretexto...
Uma freada brusca por conta do caótico trânsito de Brasília e, já era... eu teria que voltar para o hospital... pior... fora da Bahia e dando trabalho aos meus amigos queridos.
Não é algo fácil, e muito menos pouco perigoso, estar com a perna fraturada em cima de um caminhão!
Em fim, coloquei a rádio no ar e partimos, mas não sem um atraso significativo, por conta de problemas técnicos no trio!
Estamos ainda aperfeiçoando a logística das manifestações nas ruas e creio que já passou da hora de termos uma equipe grande para fazer as coisas funcionarem melhor... por isso teremos reuniões com nossa Gente em Brasília e a equipe será aumentada significativamente! sou insignificante para controlar tudo sozinho e fazer tudo funcionar a contento.
Um evento como esse requer uma logística enorme e as variáveis são tão absurdamente grandes que não dá para contar nesse relatório.
E o gigante de aço com 23 metros de tamanho, quase 4 de largura, 4,5 m de altura, 45 toneladas de peso e 180 mil w de potência se moveu... lá fomos nós!
Por uma falha de comunicação, ao invés de parar no Museu da República, o motorista do gigantesco equipamento foi diretamente para o Congresso Nacional... tivemos que voltar para pegar nossa gente.
Aqui eu tenho que fazer inúmeros elogios à Polícia de Brasília e faço isso sem medo de errar:
A Polícia do DF (Com maiúsculas mesmo!), durante esses mais de dois anos de nossas manifestações, tem mostrado uma dedicação, um carinho enorme para conosco!
Estão mais uma vez de parabéns os policiais do Distrito Federal.
Resolvido o problema do trânsito, fomos buscar nossa gente, mas não sem antes falarmos diante do Congresso Nacional; e, embora tenhamos falado rapidamente para retornarmos, falamos bem!
Estávamos juntos com a passeata dos servidores da Justiça Federal, e fomos muito respeitados por eles... nos sentimos, antes de mais nada, _Cidadãos_ tal qual qualquer cidadão em nossa sociedade.
É isso que a VCB, essas 3 letrinhas incríveis, pretende.... colocar a pessoa com deficiência, em especial as pessoas cegas, em pé de igualdade com outros grupos reivindicatórios!
Como sempre digo:
_Chega de "salões refrigerados=chiqueirinhos refrigerados", onde somos tratados como "sub-humanos"... nós temos o direito às ruas e aos nossos próprios discursos!_
E por falar em nossos próprios discursos... nesse próximo final de semana, para que todos possam ouvir e até gravar, a rádio VCB reprisará, tal qual fez nas noites de 25, 26 e 27 de setembro, nossa manifestação.
Na próxima sexta (02 de outubro), às 22:30, depois do jornal VCB do nosso querido amigo Renato Barbato, teremos a primeira reprise; sábado próximo (03), será no horário normal do meu programa, às 20:30, depois do Teletema da querida Taís Calduro e do Variança VCB do querido Jean Schutz; e no domingo (04), também será no horário normal do meu programa, às 20:30, depois do Concertança VCB do querido maestro Cleverson Casarin Ulliana.
Vocês terão mais uma oportunidade de ouvir tudo que aconteceu em BSB.
Voltando aos detalhes sobre a manifestação...
Quando o trio se aproximou da nossa gente, que aguardava no Museu da República, pudemos ouvir os gritos de alegria daqueles guerreiros fantásticos que esperaram nossa chegada! Não posso expressar a minha emoção... foi forte demais!
Com nossa gente, nossos líderes, com nosso equipamento potente, nem preciso dizer que toda a explanada teve que nos ouvir!
Pessoal, só posso pedir a vocês:
Nunca deixem, jamais permitam que isso acabe.... não concebam um dia em que voltemos aos "velhos, embolorados e refrigerados salões", em que tínhamos que ouvir "discursos vazios e totalmente tutelantes"!
Se algum dia eu não mais estiver aqui entre vocês e minha passagem se der para o outro plano, por favor, mantenham viva essa chama... não permitam que nossas datas, nacional e internacional, sejam comemoradas dentro dos "velhos chiqueiros mofados e mentirosos"!
Somos um povo, somos pessoas, lindos, livres, fortes e precisamos, tal qual outros na sociedade, protestar nas ruas.
Tivemos as vozes de nossa gente, falamos para o Congresso, para o "Negligente MEC", falamos para o Planalto e para o Supremo... em cima do nosso gigante de aço, nós tivemos professores, coordenadores, presidentes de associação representando quase todas as deficiências; tivemos nossos músicos e demais artistas; tivemos nossa versão do Hino Nacional, magnificamente traduzido em Libras por membros da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS) que estiveram conosco.
Uma força incrível estava lá e se juntando cada vez mais...
Foi emocionante o discurso dos nossos líderes... pude presenciar a força deles para mudarmos a situação que aí está... pude notar, sem sombra de dúvidas, que nenhum líder nosso que lá estava, está satisfeito com essa "política paralisada" que hoje diz nos representar. Vocês precisavam sentir o ar de revolta da nossa gente com as inúmeras injustiças que jogam contra nós, pessoas com deficiência.
Tenho certeza absoluta que estamos crescendo e que essa luta jamais morrerá!
Falei sobre os dez tópicos da VCB, com ênfase àquele que se refere à violência contra nossas meninas cegas e também as meninas DI's; sobre o absurdo que aconteceu com o casal de cegos no "matadouro" conhecido como Ronaldo Gazola no subúrbio carioca de Acari, cuja denúncia oficial da VCB consta no link:
http://t.co/qkvVor1fcu
Pude mostrar, por A+B, que a política de inclusão do MEC está completamente equivocada:
Destruir escolas consolidadas para somente depois trazer outras inclusivas, creiam, é de uma estupidez sem par na história desse país!
Temos que abrir escolas, abrir também novas escolas, e jamais fechá-las!
Finalmente, falei sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade que a representação das escolas particulares encaminhou ao STF para retirar a obrigatoriedade dessas escolas de receber alunos com deficiência;
E não ficou um só assunto sobre os dez tópicos da VCB que não fosse comentado!
Oxalá chegue o dia em que minhas falas sejam reduzidas para dar lugar às falas dos nossos intelectuais.
Precisamos de atitudes mais pró-ativas de muitos líderes nossos e também de alguns intelectuais.
Tenho orgulho de escrever que a mestra Liliane Moraes também discursou: ela falou sobre o Grupo de Trabalho (GT) criado pelo MEC, por meio da Portaria nº 929 de 14 de setembro de 2015, que instituiu apenas 120 dias para promover ações para melhoria da inserção e permanência, juntamente a outros segmentos sociais, das pessoas com deficiência na pós-graduação e em programas de mobilidade internacional.
Solicitamos um GT permanente, que discuta também o ensino básico, e cuja representação dos órgãos que dele participam possua várias pessoas com deficiência, pois a principal problemática educacional reside exatamente no ensino básico.
Sim, ensino básico, que não chegou ainda para cinco milhões de cegos e baixíssima visão em todo o país! Um número tão absolutamente escandaloso, que causa problemas até logísticos de comparação com quase 10% dos mortos da Segunda Grande Guerra Mundial!
Exatamente isso... esse número de cegos e baixa visão que estão excluídos em nosso Brasil, é tão grandioso que pode ser comparado à quase 10% da mortandade humana daquele gigantesco conflito bélico promovido por Hitler e pelo nazismo!
E por falar em nazismo: combatemos a "disfarçada eugenia nazista" que se impõe em nosso país... tanto no trabalho, quanto nas escolas para nossa gente com deficiência
O músico Marcinho, além de lançar uma bela canção sobre a diversidade humana, falou sobre a limitação no número de passagens concedidas às pessoas com deficiência e a falta de padronização imposta aos passes livres estaduais e municipais; falou também sobre o exame admissional que tem sido utilizado, como filtro, para excluir pessoas com deficiência do serviço público; além de sobre o Decreto Federal nº 7133/2010, para o texto do qual pleiteamos oficialmente à SDH e ao CONADE, desde janeiro de 2014, acessibilidade como requisito para o cumprimento de metas, visto que ele estabelece punições financeiras, caso metas não sejam plenamente cumpridas, porém não prevê acessibilidade nas instituições, para viabilizar a produtividade das pessoas com deficiência.
Charles Jatobá, também subiu no trio e falou sobre as barreiras vivenciadas com o passe livre, enfatizando que, daqui em diante, apoiará o Movimento Visibilidade Cegos Brasil.
Finalmente, não posso deixar de mencionar a presença do aguerrido César Achkar, da ABDV que, desde setembro de 2013, tem apoiado a VCB, juntamente com a marcha das bengalas.
Portanto, falamos dos horrores que pessoas com deficiência são submetidas, desde a iniciação escolar até a pós graduação, incluindo barreiras no acesso ao trabalho.
Mestras e mestres, mães de família e todos que desejaram falar, simplesmente subiram no trio gigante e puderam ter acesso ao microfone... tiveram voz e vez.
Depois do evento, ainda com dores pelo corpo, desci do trio elétrico, não sem imensas dificuldades, e partimos para um restaurante para comermos alguma coisa... encontramos alguns dos nossos líderes, e pudemos comemorar aquele momento supremo, forte e sem sombra de dúvidas... totalmente nosso!

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Meus amigos queridos... a pessoa com deficiência precisa fazer da sua semana nacional em setembro, e internacional em dezembro, dois pontos de encontro nas ruas do país... primeiro na capital federal, mas nada impede que se faça em todo território nacional!
Existem, por exemplo, movimentos que desejam isso em São Paulo, no dia 08 de abril, dia do Braille... a VCB apoiará esses movimentos, pois assim, estaremos atacando o coração financeiro da nação, visto que, o coração político já está sendo atacado desde setembro de 2013.
É inadmissível ficarmos em "chiqueirinhos refrigerados" ouvindo discursos infindáveis que nada nos dizem respeito.
A _Águia da Visibilidade_ paira sobre nós, a gigantesca Ave VCB voa pelos céus desse país... não deixemos que morra um movimento que somente deseja nos dar visibilidade.
Conto com vocês, meus sócios queridos, para juntarmos a grana para nosso trio em dezembro!
Para aqueles/as que ainda não são sócios, acessem o link abaixo e saibam mais sobre a campanha pela efetivação dos direitos das pessoas com deficiência do Brasil:
http://t.co/kLZclj24lJ
Que nosso Senhor Deus ilumine a cabeça de cada um de vocês e que continuemos a desenvolver nossas ações em nome da visibilidade e da cidadania de todas as pessoas com deficiência do Brasil, em especial, dos cegos e baixa visão desse país.
Um fortíssimo abraço,
Humberto Pires do Carmo - @bebetopires
Revisão: Liliane Moraes - @lilianevmoraes



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